Janela no Porto / In Porto

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Inspirada no trabalho de Maluda, percorro o meu caminho atenta as janelas por que passo.

Janelas do Mundo

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365 Grateful do Botequim

Da Gratidão: “365 Grateful”

Se há coisa que sempre procurei ser, é agradecida pelas pequenas coisas da vida. Há pouco tempo uma amiga perguntava-se o que faria se me saísse o Euromilhões. Sinceramente, disse-lhe que comprava uma casa, e passaria o resto dos meus dias a fazer as pessoas ao meu redor felizes. Acho que sou daquelas pessoas que não precisa de muito para viver. Se tiver uma boa mesa com a família e os amigos a volta sou uma pessoa feliz.

Á coisa de uns meses atrás vi um projecto lindo. Não só do ponto de vista fotográfico, mas sobretudo pela emoção que ele carrega. Já não me lembro muito bem como é que cheguei ao “365 Grateful”, mas fiquei fascinada com o projecto.

A autora, a Hailey estava a passar por um período menos bom da vida. E numa tentativa para se sentir melhor, decidiu por em prática um conselho valioso: reflectir sobre a vida e descobrir-mos o que é que nos faz sentir gratidão.

Ela utilizou não só a palavra, mas também a fotografia para se expressar. A reflexão através da imagem obriga a estar presente no momento. Como podemos capturar uma imagem de gratidão sem o fazer? Sem a presença do aqui e agora?

Reflectir diariamente sobre algo positivo na nossa vida, e mais importante, compreender o que é que nos faz sentir gratidão é dos desafios mais difíceis que podemos ter.

Eu estou curiosa para saber o que é que me faz sentir grata, pelo que começo o meu “365 Grateful” com as seguintes imagens da semana.

#1 - 365 Grateful

#1 – 365 Grateful

# 1  A sentir-me doente e a ser mimada pelo Sr. Feliz.  Empada vegan de lentilhas com salada de beterraba, servida na cama.

#2 - 365 Grateful

#2 – 365 Grateful

#2 O carinho de uma amiga ao vir comigo ao dentista porque sabe que sou medrosa.

#3 - 365 Grateful

#3 – 365 Grateful

#3 A chegada de um livro importante para a minha tese. Estava comprado à muito tempo.

#4 - 365 Grateful

#4 – 365 Grateful

# 4 Um presente do Sr. Feliz. Só porque sim.

#5 - 365 Grateful

#5 – 365 Grateful

# 5 Uma malga de minestrone para o jantar.

#6 - 365 Grateful

#6 – 365 Grateful

#6 Uma pausa na sessão de estudo. Torradinha feita e aparada pelo Sr. Feliz.

#7 - 365 Grateful

#7 – 365 Grateful

#7 A visita da avó. Ela vai passar cá uma temporada, o que quer dizer que vou ser muito apaparicada.

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Idanha a Velha/ Idanha a Velha Village

Idanha a Velha/ Idanha a Velha Village

Olhar através da Câmara

Olhar através da Câmara

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Filosofia de Botequim

He for She

Cresci numa família aparentemente tradicional. O meu avô trabalhava e a minha avó ficava em casa a tomar conta da família. Primeiro dos filhos, e depois da neta.

Durante a semana o jantar era, impreterivelmente, servido às oito e os almoços, durante o fim-de-semana, á uma. O meu avô sentava-se a cabeceira da mesa, com os dois filhos de cada lado, eu ao lado do meu pai e a minha avó ao lado do meu tio.

A minha avó fazia questão de servir primeiro o meu avô, servindo de seguida todos os outros, e por último a ela.

No final da refeição, o meu avô ia aos seus afazeres e a minha avó ia tratar da loiça e da cozinha. Foi assim durante os 58 anos de vida em comum.

Para os olhares estranhos à casa, nós eramos uma família tradicional e com um cunho machista: O homem da família é que manda.

Para os olhares de fora… Porque cá dentro a conversa era outra.

Foi com o meu pai, mas também com os meus avós, que eu aprendia que podia fazer qualquer coisa na vida. Que podia desempenhar as mesmas funções que um homem e que tinha de lutar para poder ter os mesmos direitos e oportunidades que eles. A minha única tarefa era trabalhar e lutar para poder fazer o que queria da vida.

Aprendi que não tenho que me sujeitar a qualquer pessoa ou situação, e que tenho todo o direito de ser respeitada pelos que me rodeiam. Porque o respeito é algo transversal ao género humano.

Tudo o que vi e vivi com a minha família fez de mim uma pessoa irreverente e com a capacidade de olhar a diferença entre homens e mulheres como algo salutar. Admitir essa diferença, não é acreditar que um é melhor que o outro, muito pelo contrário. É olhar e saber que homens e mulheres são complementares. E por serem complementares, tem de ter os mesmos direitos e oportunidades na vida.

Esta semana, a crónica do Joel Stein na Time era sobre o movimento “He for She”. Para quem não conhece, este é um movimento solidário que posiciona o homem na linha da frente da luta pela igualdade entre géneros.

Se há coisa que me irrita, e muitas vezes vinda de mulheres, é aquela velha máxima de que as mulheres já não têm nada por que lutar: podemos votar, trabalhamos, podemos comprar casa, viajar sem ter de pedir autorização ao marido, já temos os mesmos direitos que eles.

Mas a verdade não é essa. De facto conquistamos alguns direitos, mas outros são, hoje, encapotados por meias verdades: as mulheres continuam a ganhar menos que os homens; são preteridas em favor dos homens para cargos de importância; são julgadas por escolherem uma profissão em vez de uma família, ou por escolherem uma família em vez de uma carreia. Não inúmeras as meias verdades, as pressões e os julgamentos pelos quais as mulheres passam.

E esta é apenas uma perspectiva ocidental sobre o papel da mulher na sociedade. Em muitos países, a mulher vive numa condição de escravatura total: sem direitos sociais ou políticos, sem acesso á educação e á saúde, a viver em condições de pobreza total.

No dia em que o prémio Nobel da paz foi entregue a Malala Yousafzai e a Kailash Satyarthi, saiu um estudo que mostrava o aumento dos indicadores de violência entre casais e, pior, entre namorados.

Jovens mulheres consideram normal a agressão verbal e física sobre elas. Esta normalização do desrespeito, do toque agressivo, da palavra abusiva é assustadora. É esta mentalidade “normalizadora” que vai fazer com que a condição da mulher nos países ocidentais retroceda.

Talvez por isso tenha gostado tanto do movimento “He for She”. Porque não basta educar apenas as mulheres, temos de educar também os homens da nossa sociedade. Não basta que esta luta seja feita por mulheres, é necessário que seja também encabeçada por homens:

“Now it’s time to unify our efforts. HeForShe is a solidarity movement for gender equality that brings together one half of humanity in support of the other half of humanity, for the benefit of all.”

Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, cá em casa não era o meu avô que mandava, mas a minha avó com o seu jeito doce e meigo de falar. Como ela ainda me diz: “Não se apanham moscas com vinagre filha.”

by Neil Webb

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Inspirada no trabalho de Maluda, percorro o meu caminho atenta as janelas por que passo.

 

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