Sabores na Cozinha do Botequim

Cozinha dos pobres.

Se há coisa que eu gosto de comer, mesmo mantendo uma alimentação maioritariamente vegetariana, é caldeirada. Gosto especialmente de caldeirada de peixe e de bacalhau. Não consigo resistir. Só de pensar as minhas papilas gustativas começam a trabalhar.

A simplicidade do prato fascina-me. Como é que um prato feito com camadas de peixe, batata, pimento, cebola, alho e tomate se torna numa coisa tão saborosa? Mas o que me fascina mais é este prato ter nascido humilde, a partir dos peixes mais acessíveis economicamente.

E são vários os pratos portugueses com estas origens humildes, que hoje fazem parte do reportório gastronómico tradicional português. Pratos que hoje são bem pagos num qualquer restaurante.

O que me custa mais é ver que estes pratos tradicionais já não fazem as delicias das gerações mais novas, e pior, que não são vistos como conhecimento a ser conservado e difundido. Não é visto como património.

Julgam mais fácil agarrar numa caixa de hambúrgueres congelados, do que fazer uma bela caldeirada.

Gostava que se promovesse mais a nossa cozinha típica, os nossos produtos nacionais. Gostava que se recuperasse a tradição do almoço de domingo em família, uma mesa bem-posta, e muita gente à volta. Que junta-se a família toda, ou os amigos, que se conversasse, risse e cria-se memórias.

Gostava que esta comida dos pobres voltasse a ser acessível todos os dias. Que se sentisse os sabores de outras gerações.

Deixo um programa de culinária interessante, que celebra esta rica comida dos pobres. Espero que gostem.

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Filosofia de Botequim

Ao avô.

Tenho um avô que está doente. Bastante doente. Está tão doente que me dói a alma só de pensar no quanto ele ainda pode sofrer.

Deste meu avô tenho muitas imagens gravadas na memória.

Uma delas é ele levar-me um copo de leite à cama, antes de ir para o emprego, para que eu pudesse dormir mais sem ter fome de manhã.

Outra é da paciência e da magia que fazia, para me dar injecções quando estive gravemente doente.

Deste meu avô posso traçar uma linha recta da sua vida. Nasceu numa família pobre, empregou-se numa farmácia ainda moço, e estudava ao mesmo tempo para enfermeiro.

Trabalhava muito, e ainda tinha tempo para dar injecções e fazer curativos gratuitamente a quem precisava. Esta sua faceta só a descobri a bem pouco tempo através minha avó.

Este avô é um avô exigente, com os outros mas principalmente com ele. Todos os netos passaram pelas famosas explicações de francês e ciências. Das quais saiamos com o verbo etre na ponta da língua e com uma imagem clara do sistema cardiovascular.

Este é um avô que tem uma visão dualista do mundo, construiu um mundo entre o certo e o errado, entre o honesto e o desonesto e entre o mal e o bem. Dele exige que ande sempre pelo lado do bem, sem se barafustar muito, sem grandes dramas: “À que pegar o touro pelos cornos. Sem medos. Se tens medo compramos um cão.”

Esta sua vertente, por vezes ríspida, vê-se amaciada aos netos que acarinha, e a quem faz pantominices.

Aos 86 anos ainda me atende o telefone com um: “Então neta que andas a fazer hoje? Eu já passei pela natação, fui a vila e agora ando aqui de volta das arrumações.”

Dele, tenho a memória cheia de partidas pregadas, histórias contadas e gargalhadas dadas.

É a ele que dedico estas palavras, palavras que talvez poderá ler porque não gosta muito que se lhe diga o quanto gostamos dele. Mas que gosta de sentir pela nossa presença ao seu lado.

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Idanha a velha / Idanha a velha village

Idanha a velha / Idanha a velha village

Olhar através da Câmara

Olhar através da Câmara

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Janela no Porto / In Porto

Janela no Porto / In Porto

Inspirada no trabalho de Maluda, percorro o meu caminho atenta as janelas por que passo.

Janelas do Mundo

Janelas do Mundo

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365 Grateful do Botequim

Da Gratidão: “365 Grateful”

Se há coisa que sempre procurei ser, é agradecida pelas pequenas coisas da vida. Há pouco tempo uma amiga perguntava-se o que faria se me saísse o Euromilhões. Sinceramente, disse-lhe que comprava uma casa, e passaria o resto dos meus dias a fazer as pessoas ao meu redor felizes. Acho que sou daquelas pessoas que não precisa de muito para viver. Se tiver uma boa mesa com a família e os amigos a volta sou uma pessoa feliz.

Á coisa de uns meses atrás vi um projecto lindo. Não só do ponto de vista fotográfico, mas sobretudo pela emoção que ele carrega. Já não me lembro muito bem como é que cheguei ao “365 Grateful”, mas fiquei fascinada com o projecto.

A autora, a Hailey estava a passar por um período menos bom da vida. E numa tentativa para se sentir melhor, decidiu por em prática um conselho valioso: reflectir sobre a vida e descobrir-mos o que é que nos faz sentir gratidão.

Ela utilizou não só a palavra, mas também a fotografia para se expressar. A reflexão através da imagem obriga a estar presente no momento. Como podemos capturar uma imagem de gratidão sem o fazer? Sem a presença do aqui e agora?

Reflectir diariamente sobre algo positivo na nossa vida, e mais importante, compreender o que é que nos faz sentir gratidão é dos desafios mais difíceis que podemos ter.

Eu estou curiosa para saber o que é que me faz sentir grata, pelo que começo o meu “365 Grateful” com as seguintes imagens da semana.

#1 - 365 Grateful

#1 – 365 Grateful

# 1  A sentir-me doente e a ser mimada pelo Sr. Feliz.  Empada vegan de lentilhas com salada de beterraba, servida na cama.

#2 - 365 Grateful

#2 – 365 Grateful

#2 O carinho de uma amiga ao vir comigo ao dentista porque sabe que sou medrosa.

#3 - 365 Grateful

#3 – 365 Grateful

#3 A chegada de um livro importante para a minha tese. Estava comprado à muito tempo.

#4 - 365 Grateful

#4 – 365 Grateful

# 4 Um presente do Sr. Feliz. Só porque sim.

#5 - 365 Grateful

#5 – 365 Grateful

# 5 Uma malga de minestrone para o jantar.

#6 - 365 Grateful

#6 – 365 Grateful

#6 Uma pausa na sessão de estudo. Torradinha feita e aparada pelo Sr. Feliz.

#7 - 365 Grateful

#7 – 365 Grateful

#7 A visita da avó. Ela vai passar cá uma temporada, o que quer dizer que vou ser muito apaparicada.

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