Parque Tejo Internacional / Tejo's Internacional Park

Parque Tejo Internacional / Tejo’s Internacional Park

Olhar através da Câmara

Olhar através da Câmara

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Janela no Porto / In Porto

Janela no Porto / In Porto

Inspirada no trabalho de Maluda, percorro o meu caminho atenta as janelas por que passo.

Janelas do Mundo

Janelas do Mundo

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365 Grateful do Botequim

Da Gratidão: “365 Grateful”

 

Dia 8_365 Grateful

Dia 8_365 Grateful

#8 Uma base de dados feita de propósito para me auxiliar na tese. Feita por um amigo que se preocupa com a minha necessidade organizativa.

 

Dia 9_365 Grateful

Dia 9_365 Grateful

#9 Acabar o dia com esta vista maravilhosa regada a boa conversa com uma amiga.

 

Dia 10_365 Grateful

Dia 10_365 Grateful

#10 Depois de um dia difícil, uma noite calma com um livro.

 

Dia 11_365 Grateful

Dia 11_365 Grateful

#11 As vezes os prazeres mais simples vêm na forma de um passeio num dia de Outono.

 

Dia 12 12_365 Grateful

Dia 12 12_365 Grateful

#12 O pequeno almoço na cama.

 

Dia 13_365 Grateful

Dia 13_365 Grateful

#13 Fazer massa de piza em casa e jantar piza marguarita caseira.

 

Dia 14_365 Grateful

Dia 14_365 Grateful

#14 Passar a tarde a namorar debaixo de uma árvore centenária.

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Sabores na Cozinha do Botequim

Cozinha dos pobres.

Se há coisa que eu gosto de comer, mesmo mantendo uma alimentação maioritariamente vegetariana, é caldeirada. Gosto especialmente de caldeirada de peixe e de bacalhau. Não consigo resistir. Só de pensar as minhas papilas gustativas começam a trabalhar.

A simplicidade do prato fascina-me. Como é que um prato feito com camadas de peixe, batata, pimento, cebola, alho e tomate se torna numa coisa tão saborosa? Mas o que me fascina mais é este prato ter nascido humilde, a partir dos peixes mais acessíveis economicamente.

E são vários os pratos portugueses com estas origens humildes, que hoje fazem parte do reportório gastronómico tradicional português. Pratos que hoje são bem pagos num qualquer restaurante.

O que me custa mais é ver que estes pratos tradicionais já não fazem as delicias das gerações mais novas, e pior, que não são vistos como conhecimento a ser conservado e difundido. Não é visto como património.

Julgam mais fácil agarrar numa caixa de hambúrgueres congelados, do que fazer uma bela caldeirada.

Gostava que se promovesse mais a nossa cozinha típica, os nossos produtos nacionais. Gostava que se recuperasse a tradição do almoço de domingo em família, uma mesa bem-posta, e muita gente à volta. Que junta-se a família toda, ou os amigos, que se conversasse, risse e cria-se memórias.

Gostava que esta comida dos pobres voltasse a ser acessível todos os dias. Que se sentisse os sabores de outras gerações.

Deixo um programa de culinária interessante, que celebra esta rica comida dos pobres. Espero que gostem.

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Filosofia de Botequim

Ao avô.

Tenho um avô que está doente. Bastante doente. Está tão doente que me dói a alma só de pensar no quanto ele ainda pode sofrer.

Deste meu avô tenho muitas imagens gravadas na memória.

Uma delas é ele levar-me um copo de leite à cama, antes de ir para o emprego, para que eu pudesse dormir mais sem ter fome de manhã.

Outra é da paciência e da magia que fazia, para me dar injecções quando estive gravemente doente.

Deste meu avô posso traçar uma linha recta da sua vida. Nasceu numa família pobre, empregou-se numa farmácia ainda moço, e estudava ao mesmo tempo para enfermeiro.

Trabalhava muito, e ainda tinha tempo para dar injecções e fazer curativos gratuitamente a quem precisava. Esta sua faceta só a descobri a bem pouco tempo através minha avó.

Este avô é um avô exigente, com os outros mas principalmente com ele. Todos os netos passaram pelas famosas explicações de francês e ciências. Das quais saiamos com o verbo etre na ponta da língua e com uma imagem clara do sistema cardiovascular.

Este é um avô que tem uma visão dualista do mundo, construiu um mundo entre o certo e o errado, entre o honesto e o desonesto e entre o mal e o bem. Dele exige que ande sempre pelo lado do bem, sem se barafustar muito, sem grandes dramas: “À que pegar o touro pelos cornos. Sem medos. Se tens medo compramos um cão.”

Esta sua vertente, por vezes ríspida, vê-se amaciada aos netos que acarinha, e a quem faz pantominices.

Aos 86 anos ainda me atende o telefone com um: “Então neta que andas a fazer hoje? Eu já passei pela natação, fui a vila e agora ando aqui de volta das arrumações.”

Dele, tenho a memória cheia de partidas pregadas, histórias contadas e gargalhadas dadas.

É a ele que dedico estas palavras, palavras que talvez poderá ler porque não gosta muito que se lhe diga o quanto gostamos dele. Mas que gosta de sentir pela nossa presença ao seu lado.

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